O efeito da motivação: transformar o trabalho em diversão

O princípio básico da motivação assenta na ideia de que recompensar um comportamento permite obter a repetição de comportamentos do mesmo tipo e punir um comportamento permite reduzi-lo. Mas não são raras as vezes que esse pressuposto gera um resultado oposto ao esperado.

Como é evidente, o ponto de partida de qualquer discussão sobre motivação no local de trabalho recai sobre a necessidade de “ganhar a vida”: salário, avenças, benefícios, prémios, etc… e se as retribuições não forem percecionadas como adequadas ou equitativas ganha força um sentimento de injustiça que boicota qualquer princípio de motivação.

É possível gerar ação sem recompensa e perder a ação mesmo quando o comportamento é recompensado? De facto sim, porque a motivação não é gerida apenas por fatores externos.

Um exemplo disso é o capítulo 2 das Aventuras de Tom Sawyer:

Como castigo pelo mau comportamento, ao Tom é atribuída a dura tarefa de pintar a cerca à volta de um terreno de 75 metros quadrados num pleno sábado, impedindo-o de seguir com planos bem mais interessantes. Desolado com a tarefa que lhe foi entregue, tem de enfrentar os amigos que vão passando por ele fazendo troça do seu destino triste, até que lhe surge uma inspiração: explica aos amigos que a tarefa de pintar a cerca não é um castigo, pelo contrário é um privilégio, pois além de divertido foi-lhe atribuído a ele especificamente por ser tão bom pintor. A tarefa soa tão cativante e desafiante que os amigos lhe pedem para pintar a cerca, mas o Tom recusa. Os amigos insistem e tentam convencê-lo oferecendo-lhe berlindes e o lanche em troca da oportunidade. E assim Tom consegue que os amigos pintem a cerca, em vez dele.

Quando a abordagem é outra, o resultado muda. O primeiro amigo que viu Tom a pintar a cerca foi o Ben e, a este amigo, o Tom admitiu que a tarefa era indesejada mas ainda assim pede a sua ajuda e propõe-lhe uma recompensa, uma bola. Como resultado obteve a ajuda solicitada mas a tarefa não é desejada e à primeira oportunidade, Ben abandona-a.

Aqui apreciamos o princípio da motivação “Trabalho é tudo o que o corpo é obrigado a fazer e diversão é tudo o que o corpo não é obrigado a fazer”, ou seja, as recompensas têm o poder de fazer de qualquer tarefa interessante uma obrigação, e de transformar uma responsabilidade em divertimento.

Conhecido também por “efeito Sawyer”, este pressuposto interfere significativamente em 4 componentes: a motivação intrínseca, o desempenho, a criatividade e o comportamento.

Na hora de definir recompensas, tenha presente o efeito Sawyer!

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